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Selva oscura

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Ahi quanto a dir qual era è cosa dura esta selva selvaggia e aspra e forte che nel pensier rinova la paura!... É o céu de São Paulo que "anoiteceu" antes do previsto no dia 20 de agosto passado. De selva de pedra à selva escura. "Lasciate ogni speranza, voi ch'entrate", leu Dante às portas inferno.

Outono

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Era outono e era Lisboa...

Lapidum natura restat, hoc est praecipua morum insania.

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“ Lapidum natura restat, hoc est praecipua morum insania …” Gaius Plinius Secundos. “ Ancestral l â mina de obsidiana ” , o primeiro verso que te vem à cabe ç a nesta indecisa tarde em que caminhas distra í do. Outono à porta, a vida segue o seu curso com a exibi çã o televisiva de distantes e pasteurizadas trag é dias com nomes ex ó ticos, sempre à justa medida para n ã o perturbar a tua consci ê ncia conformista. “ Ancestral l â mina de obsidiana ” , verso sem continua çã o, passaporte para fingires que participas na eternidade matem á tica das coisas, desde a palavra ainda abismo ao baile silencioso das esferas. “ Ancestral l â mina de obsidiana ” , senten ç a e aviso:                                                                                como quando ...

Esfinge

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Não há perguntas. Selvagem o silencio cresce, difícil.                         De “Rosácea”, 1986. Orides Fontela

Quase dezessete

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“Vous êtes amoureux. Loué jusqu’au mois d’août.” A. Rimbaud Ali me encontro, aos dezesseis anos, quase dezessete, prisioneiro de uma felicidade aprazada, desafiante, sem saber que a mirada carregada de futuro que captava aquela câmera, chegaria certeira ao presente do meu coração.

Naharros de Valdunciel (Salamanca)

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“Este blogue é mais forte do que eu”, talvez assim começasse este texto Clarice Lispector se vivesse, como nós, na era digital. Na verdade nem sei porque ainda mantenho o Finisterra. Talvez por esperança de um dia voltar a ele como fazia nos idos entre 2004 e 2007. Naquela época, este blogue era o porto mais seguro para alguém que vivia à deriva nas emoções de uma vida entre Lisboa e Túnis. Já tentei recomeçá-lo várias vezes e nunca o consegui de todo. Esta será outra tentativa, um pouco por conselho de amigos e alunos, outro tanto porque será um ano inteiro de uma viagem que se propõe à volta do mundo. A viagem é sonho do Miguel que decidiu compartilhá-la comigo. Admito publicamente que tenho receio de me afastar tanto tempo de casa. A idade, e não o casamento, foi fazendo de mim o homem caseiro em que me tornei. A minha grande odisseia quotidiana é ir ao café perto da minha casa, ler o jornal e falar com poucos. Eu não era assim, mas me tenho simpatia. E uma viagem ...

O meu primeiro beijo

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O meu primeiro beijo foi: com Omar a infância era de ónix, com Felipe foi de brincadeira, com Kátia de verdade, com Paula às amendoeiras em flor, com Débora havia música, com Maria pedi permissão, com Jorge adeus à adolescência, com Cláudio Beirute entrou na minha vida, com Laura foi em sonho, com Gilberto numa discussão sobre Lacan, com Fabiano o intervalo mais lindo, com Fábio à porta do táxi, com Domingos sob os arcos, com João era já outro continente, com Isaiah estação de Stalingrad acesso rue de l'Aqueduc , com Fréd numa sessão de Godard, com Madalena cavalgávamos o Hipogrifo, com Henrique em horas clandestinas, com Paulo suspenso numa aldeia beira-mar, com Pedro no meu quarto medieval, com Ridha ouvia-se o rumor da rue de Palestine , com Mohamed os deslizes da língua, com Ibrahim sob as estrelas, com Manel era o azul de Lisboa, com João Paulo de manhã na pastelaria e com Miguel é todos os dias.