Vi o programa (as 6 partes) até ao final (e digo vi porque fora do traduzido nas entrevistas pouco percebi, mas desse pouco achei fascinante.
Tenho para aí uma matéria pendente com a filosofia, que me aborrecia mortalmente no liceu, nas aulas das 4 da tarde, a combater o sono da lengalenga do professor. Está na hora de recuperar o tempo perdido.
E agora, fiquei sabendo que talvez não vou escrever muito já, mas sempre será demais. É difícil saber quando a gente deve parar: isso é privilégio de mentes lúcidas.
Na verdade sempre fantasiei que voltaria a escrever neste blogue movido por um tema que se relacionasse com alguma paixão avassaladora - dessas que me atingiam em cheio no coração quando vivia em Lisboa - e que me obrigaria a buscar a poesia como o sedento a água. E escrever era a minha água de então. Mas não é nada disso. A escrita agora cumpre com outra função. Mas qual é? Escapar do confinamento? Isto eu faço com a leitura e vendo Drácula na TV. Comunicar-me com os outros expondo as minhas ideias e opiniões sobre a realidade que nos cerca? Isto nunca fiz, nem tenho o talento exigido. Então, o que me resta? Não sei. Mas intuo, e esta coisa de intuir já leva em si mesma alguma forma de conhecimento, que escrevo simplesmente pelo ato de escrever. Somente isto, nada mais. Encadear uma palavra atrás da outra e, neste processo, onde pervertemos as ferramentas que foram inventadas pelos fenícios para contabilizar os impostos, descobrir, maravilhados, que alguma história pode surgir...
“ Lapidum natura restat, hoc est praecipua morum insania …” Gaius Plinius Secundos. “ Ancestral l â mina de obsidiana ” , o primeiro verso que te vem à cabe ç a nesta indecisa tarde em que caminhas distra í do. Outono à porta, a vida segue o seu curso com a exibi çã o televisiva de distantes e pasteurizadas trag é dias com nomes ex ó ticos, sempre à justa medida para n ã o perturbar a tua consci ê ncia conformista. “ Ancestral l â mina de obsidiana ” , verso sem continua çã o, passaporte para fingires que participas na eternidade matem á tica das coisas, desde a palavra ainda abismo ao baile silencioso das esferas. “ Ancestral l â mina de obsidiana ” , senten ç a e aviso: como quando ...
“Este blogue é mais forte do que eu”, talvez assim começasse este texto Clarice Lispector se vivesse, como nós, na era digital. Na verdade nem sei porque ainda mantenho o Finisterra. Talvez por esperança de um dia voltar a ele como fazia nos idos entre 2004 e 2007. Naquela época, este blogue era o porto mais seguro para alguém que vivia à deriva nas emoções de uma vida entre Lisboa e Túnis. Já tentei recomeçá-lo várias vezes e nunca o consegui de todo. Esta será outra tentativa, um pouco por conselho de amigos e alunos, outro tanto porque será um ano inteiro de uma viagem que se propõe à volta do mundo. A viagem é sonho do Miguel que decidiu compartilhá-la comigo. Admito publicamente que tenho receio de me afastar tanto tempo de casa. A idade, e não o casamento, foi fazendo de mim o homem caseiro em que me tornei. A minha grande odisseia quotidiana é ir ao café perto da minha casa, ler o jornal e falar com poucos. Eu não era assim, mas me tenho simpatia. E uma viagem ...
Comentários
Tenho para aí uma matéria pendente com a filosofia, que me aborrecia mortalmente no liceu, nas aulas das 4 da tarde, a combater o sono da lengalenga do professor. Está na hora de recuperar o tempo perdido.
E agora, fiquei sabendo que talvez não vou escrever muito já, mas sempre será demais. É difícil saber quando a gente deve parar: isso é privilégio de mentes lúcidas.